segunda-feira, 1 de junho de 2020

Banco Central quer mudar programa que financia salários para liberar demissões


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu nesta segunda-feira (1º) algumas mudanças no formato do programa criado pelo governo federal que concede empréstimo emergencial para pagamentos de salários.
Por causa da fraca adesão das empresas, Campos Neto quer aumentar a adesão das empresas e o número de trabalhadores beneficiados, com isso incluindo empresas maiores no programa e que aquelas que aderirem tenham permissão para demitir até 50% dos funcionários.
O programa emergencial foi anunciado em março e prevê uma linha de crédito, com juros de 3,75% ao ano, para empresas pagarem salários de funcionários por até dois meses. Em contrapartida, as empresas não podem demitir os trabalhadores por até dois meses após o fim do empréstimo.
A linha de crédito disponibilizou um total de R$ 40 bilhões. Entretanto, a procura foi baixa: até esta segunda, de acordo com dados oficiais, apenas R$ 2 bilhões haviam sido emprestados.
Entre as principais mudanças sugeridas por Campos Neto para elevar as concessões do programa está a inclusão de empresas maiores, com faturamento acima de R$ 10 milhões no ano de 2019. Atualmente, podem ter acesso à linha de crédito empresas com faturamento em R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano.
Outra alteração seria na exigência de manutenção de empregos: a proposta é que as empresas que aderirem ao programa sejam obrigadas a manter 50% dos contratados, não 100%, como é agora.
“É um programa que, apesar do desembolso ter sido menor do que o esperado, tem capacidade de controle muito bom. Consegue ver o tipo de empresa, funcionário, em que áreas. Tem um volume de informação que nos ajuda a guiar nessa crise. A gente vai ter modificações em breve no programa, que vai fazer com que aumente o volume liberado”, declarou Campos Neto.
Com as mudanças, o BC estima que ao menos mais R$ 20 bilhões sejam emprestados. Bahia.ba

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